9 de ago de 2014

2 Ideias para cantinhos de atividades diversificadas

CANTOS-CAIXAS


Como viabilizar a proposta de cantos de atividades sem fazer grandes mudanças estruturais no espaço da sala de aula?

Além de possibilitar escolhas, os cantos-caixa facilitam a intervenção da professora em um trabalho com jogos, arte ou escrita


A ideia dos cantos-caixas surgiu de uma dificuldade de trabalhar com jogos em sala de aula. Muitas professoras querem trabalhar jogos com as crianças, mas como fazer com todas ao mesmo tempo? Como dar atenção para todas?

Durante algumas conversas e cursos, surgiu a ideia de montar cantos nas mesas. Cada caixa teria propostas diferentes – as crianças poderiam escolher o que fazer naquele dia. Uma das caixas teria um jogo, e assim conseguiria dar mais atenção às crianças.

Durante algum tempo percebeu-se que estava dando certo e o que estava dando errado. E foi-se verificando que as propostas das caixas precisavam ser mudadas toda semana. Muitas vezes as crianças vivenciavam as experiências em outro momento, de uma forma mais livre; e em outros momentos faziam a exploração de alguns materiais que seriam futuramente trabalhados nas aulas.

Com os cantos-caixas consegui ainda possibilitar as crianças o exercício da autonomia, a partir de oferta de diferentes atividades simultâneas, onde elas pudessem escolher o que fazer, respeitando seus interesses e necessidades.

As observações e registros das atividades me fizeram pensar mais no que colocaria em cada caixa, o que foi desafiador enquanto educadora. Fui anotando minha chuva de ideias para depois organizá-las, de forma a possibilitar mais desafios às crianças. E assim fui juntando coisas, jogos, produzindo tabuleiros, comprando materiais que achava serem úteis as crianças nessa aprendizagem.

Ao final de um ano, quantas descobertas sobre meu trabalho pedagógico! Como mudei, como a visão de educação, de escola, de pessoas mudou… Percebi que as crianças podem muito, sabem muito e trazem uma bagagem diferente e muito rica.

Percebi que as crianças…
Conseguiram escolher com autonomia o que queriam fazer;
Realizaram ações sozinhas ou com parceiros escolhidos por elas;
Participaram de situações que envolviam o combinado de regras;
Cuidaram dos materiais individuais e coletivos;
Guardaram melhor os brinquedos depois de usar.

É sempre bom variar as propostas das caixas, colocando algo para criar, jogar, ler, brincar, fantasiar...





O CANTINHO DO MERCADINHO


Todos os dias, separamos um bom tempo das horas que passamos juntos na escola para brincar na sala. E nesse tempo, várias atividades acontecem simultaneamente e cada um pode escolher o que quer fazer, com quem quer estar e como utilizar os materiais disponíveis. Montamos pequenos cantos, e em cada um deles muita coisa pode acontecer.

Uma brincadeira simples e barata - não é preciso nada muito diferente de sucata e imaginação...

Um dos cantos que resolvemos montar juntos é o canto para brincar de “mercadinho”. No passo a passo, houve…

1. Uma conversa sobre a brincadeira de mercadinho, como ela podia ser, o que precisaríamos fazer para que ela acontecesse e por que seria uma brincadeira legal;

2. Organização – escrevemos um bilhete para as famílias pedindo que mandassem embalagens vazias e limpas de tudo que pudesse entrar no nosso mercado ( menos embalagens perigosas, como latas que cortam e vidros ), além de recolher pela escola os materiais que seriam úteis;

3. Ação – montamos a brincadeira e começamos a aproveitá-la. Todo mundo adorou, tanto que os outros cantinhos ficaram até abandonados por um tempo…

Uns vendem, outros compram, outros organizam... Todos brincam!

Para a nossa brincadeira de mercadinho, precisamos:

* Uma impressora e uma calculadora velha;
* Dinheirinho de mentira;
* Embalagens vazias e limpas ( que estragam rápido e precisam ser repostas );
* 1 toalha;
* 1 lençol;
* Elásticos de dinheiro;
* 2 mesas;
* 1 caixa para guardar tudo isso.

Colocamos uma mesa virada de ponta-cabeça em cima da outra na posição normal, e com o lençol a cobrimos, montando uma espécie de barraquinha. Na parte de baixo forramos com toalha, e prendemos o lençol com elásticos nos próprios pés da mesa. Colocamos lá dentro a impressora velha junto com a calculadora ( “caixa” ), uma caixa com o dinheirinho de brinquedo, as embalagens que tínhamos e algumas frutas de brinquedo. Em pouco tempo, os papéis foram definidos entre as crianças e o mercado começou a funcionar. As donas ( e donos! ) de casa faziam as compras e levavam logo para a casinha, que era o cantinho que ficava logo ali do lado, para cozinhar, limpar ou tomar um bom banho e se enfeitar… Os comerciantes se divertiram vendendo, negociando e contando dinheiro. Foi bem legal!

Depois da brincadeira conversamos sobre a experiência e como podíamos fazer para que ela durasse mais tempo – por exemplo, tomando mais cuidado para que as embalagens não estragassem muito rápido. Percebemos também que podemos incrementar o mercadinho, com papel pra fazer notas, sacolas pra carregar as compras, mais embalagens.

O mercadinho visto de longe, com as mesas viradas e os produtos "na banca"

Por que a brincadeira do mercadinho é um recurso pedagógico eficiente e divertido?

* Por ser uma atividade que as crianças conhecem bem na rotina de sua família, eles podem criar e recriar muitas situações diferentes e vivências sociais interessantes;

* A calculadora e o dinheiro são importantes portadores numéricos sociais, e estimulam as crianças a pensarem sobre valores, trocas, compensações, quantidades, algarismos e números;

* As crianças aprenderam, com essa experiência, que podem montar um canto diferente, o que pode abrir a porta para muitas outras brincadeiras que queiramos organizar daqui pra frente;

* Virar a mesa, colocar lençol e fazer outras mudanças estruturais na sala deu um “clique” na cabeça das crianças – o que imediatamente rendeu uma outra brincadeira. Usando as cadeiras, as crianças fizeram, sem nenhuma ajuda minha, um “ônibus” para ir ao mercado, e ali outras vivências começaram a acontecer – brincar de dirigir, pagar a passagem, ir a outros lugares… Creio que daqui por diante vou observá-los fazer muitas mudanças como essa, criando outras brincadeiras e espaços de criação artística e vivência social. As crianças perceberam que, ao modificar o ambiente, podem modificar também o próprio jeito de brincar, e isso é ótimo!




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